sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O ANALFABETO POLÍTICO

“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política. O imbecil não sabe que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das multinacionais. Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar”. (Bertold Brecht, teatrólogo alemão (1898-1956).
Na verdade todos somos animais políticos. A politicidade humana vem do conceito de polis, que originalmente tem a ver com cidadania, com o fato de morar numa cidade. Quando dizemos que somos de Caucaia, estamos afirmando que somos de uma determinada polis. Portanto, nesta polis, somos convidados a exercer nossa cidadania, com negligência ou zelo. Ao participar de qualquer decisão que implique na melhoria de minha polis, estou exercendo o direito de ser político.
É bom considerar também, que não fazer política é um gesto altamente político. William James disse: “Quando você tem de fazer uma escolha e não a faz, isso por si só já é uma escolha”. Isto mesmo. Não decidir é também uma decisão, a decisão de não decidir. Sua política pode ser a não política, mas ainda assim é uma política, neste caso da negação e da preguiça.
O problema é que nem sempre estamos conscientes da realidade que a política faz parte do nosso dia a dia, ela está presente em muitos gestos que consideramos absolutamente neutros. O silêncio e a omissão são atos políticos. M. Luther King Jr afirmava que Deus haveria de julgar, não apenas a maldade dos perversos, mas o silêncio dos bons. Calar-se diante da injustiça e da opressão traz juízo de Deus sobre nossas vidas.
Henry Niemüller foi mártir durante o III Reich imposto por Hitler. Ele afirmou o seguinte: "Primeiro vieram buscar os anarquistas, mas como eu não sou anarquista, não me preocupei. Depois vieram buscar os comunistas, mas como eu não sou comunista, não me importei. Depois vieram buscar os judeus, mas como eu não sou judeu, também não me importei. Agora vieram buscar a mim, e ninguém se importa".
"Humanização, desenvolvimento, integridade, libertação, justiça: digamos sem demora que esses alvos não somente são desejáveis, mas que nós como cristãos deveríamos persegui-los ativamente, e que os evangélicos, em particular, incorremos com freqüência no erro de fazermos nossas opções sem consideração de tais responsabilidades. Merecemos censura por este ato de leviandade". (John Stott).
CONHECER O DIREITO É DESENVOLVER A CIDADANIA
ACORDA CAUCAIA!

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